segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CELEIRO DE MISSIONÁRIOS??? (parte 1)

Não sei há quanto tempo você não ouve esta palavra, mas foi muito comum falar e ouvir isto há dez anos atrás, ou, principalmente, na década de 90. Dizia-se, como sempre no Brasil, ufanisticamente, que o nosso país era e seria um celeiro de missionários e que o nosso povo iria se espalhar sobre a terra levando o evangelho. “Afinal, quem não gosta de brasileiro? Um povo que se dá bem com todo mundo, tem um chamado especial de Deus; Deus chamou o Brasil para terminar a tarefa inacabada”. Essas palavras e outras parecidas – bem “aparecidas” – encheram de orgulho os evangélicos brasileiros há duas décadas atrás, mas principalmente quem não conhece a Bíblia e não reflete no agir de Deus e como Deus usa a quem quer e como quer e quando quer.

Pensar que Deus iria usar os brasileiros, ou principalmente a estes, é desconhecer o Deus que chamou a Abraão, Moisés, Gideão, Sansão, Davi, Jonas, Daniel, Neemias, João Batista, Pedro, João, Mateus, Simão o Zelote, Paulo, Timóteo e tantos outros na história – de diferentes lugares, profissões, estilos de vida, temperamentos e famílias. Temos um Deus que chama a quem quer, usa a quem quer e como quer e age na Sua multi-forma sabedoria, confundindo os homens com milagres inexplicáveis e tranformando vidas com Seu amor. Nosso Deus é o Senhor criador de toda a terra, que ama os homens de todos os lugares e quer agir em todos e sobre todos. Enfim, um Deus que chama de todos os lugares para todos os lugares, e não somente do Brasil para trabalhar em alguns lugares, ou no próprio país, como a visão míope que muitos gostam de pensar – ou de “ver”.

Por que não podemos falar que somos o celeiro de missionários, além destas razões apresentadas acima:

1) A falta de compromisso da igreja com a obra missionária. Seguindo a falta de visão da liderança (leia-se muitos líderes, não todos, claro), a igreja não envia mais missionários para o campo porque não sabe o que é isto – para quê, onde, como, quem, quanto tempo? Algumas igrejas não sabem o que é fazer Conferência Missionária, outras deixaram de fazer porque “não dá gente” e o “povo não gosta de missões”, afinal “é sempre a mesma coisa”. Tudo isto reflete a liderança que prefere as “festas e eventos” cheios de gente mas vazios de espiritualidade sadia – também, sempre a mesma coisa. De evento em evento, a igreja vai se tornando em “vento”, porque não quer seguir o “vento do Espírito, que sopra onde quer”.

2) A falta de visão de muitos líderes para os campos brancos para a ceifa. Jesus falou para “levantarmos os nossos olhos”, mas muitos abaixaram a cabeça, olhando apenas para dentro do país, para Jerusalém, para a missão local, achando que estavam fazendo o correto. Não só, mas principalmente, o Movimento G12 que acabou com a visão de muitos líderes sobre a obra missionária transcultural, com palavras como “sonho, visão, conquista, multiplicação” – palavras bonitas que enterraram a capacidade de ir além, embora eles achem que tem a “visão”. Quantos missionários voltaram do campo por causa dos Encontros? Quantos deixaram de ir? Afinal, vamos ganhar o Brasil para Cristo, a cidade para Cristo.

3) A falta de boa vontade para cumprir a ordem de Jesus de “ir por todo o mundo e pregar a toda a criatura”. Mais uma vez, como sempre, a culpa é da liderança que se mostra com muita disposição para aumentar os templos, construir mais e “alargar a tenda porque o povo está crescendo”. Mas, nunca vemos a mesma disposição, ou a mesma visão, quando se trata de enviar missionários e sustentar a obra missionária. Nunca falta dinheiro para as construções, nem fé, mas nunca temos dinheiro para cumprir o “ide” de Jesus, afinal “é muito caro manter uma família fora do país”. Esta incredulidade para fazer missões deve causar náuseas no Senhor Jesus, pois causa nojo naqueles que querem levar o evangelho e sempre se esbarram nesta mornidão laodicense.

Vou parar por aqui e deixar você refletir um pouco sobre estas palavras. Não pretendo tolhir os comentários e críticas, nem os elogios. Não importa o que você vai escrever aqui, desde que isto balance com as tuas idéias e te faça agir para com o Reino de Deus. Em breve, a segunda parte.

Um abração,

Durval.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Recuperando-se para enfrentar mais um ano

Graças a Deus, depois de uma semana se recuperando da Dengue, já não tenho mais febre, mas o corpo ainda está fraco e, cumprindo os prazos médicos, creio que na próxima semana já estou de volta às atividades.
Esta foto da Catarina me encanta, porque é um momento de muita saúde - diferente do que ela está passando agora e muito longe do que passo, também. Me encoraja a melhorar, me incentiva a estar sempre em cima...
Depois de quase um ano por aqui, vamos descansar - não com doença, claro -, mas em algum lugar tranquilo e muito lindo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Queria estar assim!!!!


Com Dengue, é impossível estar saudável como na foto. Se pego 1 kg de trigo, sinto cansaço; se caminho 5 mts, fico ofegante, e tenho de forçosamente deitar. Contudo, vamos aproveitar o tempo para ler e escrever - farei o máximo que puder e garanto que não será muito.
Apesar disto, saber e olhar para Cátia e Catarina sem doença é maravilhoso. Não só porque cuidam muito bem de mim, mas porque me realizo no cumprimento da fidelidade do Senhor em nossa família. Mas, deixo claro que a fidelidade divina não está presente só quando há saúde, embora notamos mais quando sentimos a dor. Em todo tempo Deus é Fiel.
Valeu pelas orações e carinho,
Durval.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Resposta ao Tito, from Brasília, sem sal e com pimenta.

Oi, Tito,
Muito obrigado por ter lido o meu texto sobre o Haiti e comentado bastante.
Vc também não tem o meu respaldo, e isto digo sobre o seu pensamento – nem gostaria de falar no gosto amargo de suas palavras, mas agradeço tua “apreciação”.
Tito, como missionário no sudeste asiático, tenho a oportunidade de ter em minha casa uma antena parabólica onde posso pegar mais de 50 canais do mundo todo. Talvez, vc não tenha visto as cenas que vi – lamento muito – mas o que falei é realmente o que eu vi – pessoas louvando a Deus nas ruas e alguns resgatados dando testemunho de livramento, que ao meu parecer só podiam ser pessoas cristãs.
Quantos aos políticos envolvidos com bruxaria que vc citou – e como mora em Brasilia, percebo que conhece muito -, é lamentável. Mas, não entendo a tua tese histórica de vodu no Haiti como causa do terremoto e tamanha tragédia. Então, vc não acha que deveria acontecer a mesma coisa em outras partes do mundo, onde existe mais bruxarias, ateísmo, violência e corrupção? Já pensou se acontecesse em Brasília? Será que a causa seria tamanha corrupção?
É pena, Tito, que na televisão que vc assiste só passou as cenas de desespero, mas, como já disse, eu vi outras cenas, além do desespero. Vi resgates, esperança, luta pela sobrevivência e louvor a Deus, já que no Haiti, apesar do vodu, também existe um povo de Deus que O adora em espírito e em verdade. Será que só vc não sabe disto, Tito?
Também é lamentável, Tito, que existam pessoas sendo “'tocada'não por Deus indo "pregar" o evangelho em Miami,no condomínio Boca Ratton” (sic). Mas, como missionário há quase 20 anos, eu sou um dos “tocados” por Deus pra levar o Seu Evangelho. Tito, eu faço parte dos “7 mil que não se dobraram perante Baal”. Graças a Deus, existem outros com este mesmo pensamento e se ajudássemos mais e criticássemos menos, muito mais poderia ser feito pelo Haiti.
Se a tragédia no Haiti tem explicação, Tito, por favor tente explicar o porquê não acontece o mesmo na casa, ou nas mansões, de tantos satanistas no Brasil – e, pelos teus comentários, vc conhece bastante -, dos traficantes e dos corruptos que roubam a prosperidade do nosso povo mais pobre. Tente explicar o que nem Jesus quis explicar – sobre a morte dos homens massacrados pela torre de Siloé. “E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? (Lucas 13:2). Sim, Tito, será que os haitianos são mais pecadores do que os feiticeiros no Brasi, ou na África, ou na América, ou na Europa?
Quanto a Sra. Zilda Arns, eu a conheci pessoalmente quando ela visitou o Timor Leste, há quase 4 anos atrás. Não faço julgamentos sobre a sua vida, mas agradeço a Deus, como você, por ela ter ajudado milhares de mães e crianças em várias nações e ter diminuído o sofrimento de tanta gente – o mesmo que tentamos fazer em nossa missão.
Fica na paz, Tito. Paz na tua alma e na tua família,
Durval.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Terremoto no Haiti... terremoto na cabeça, também.


Nestes dias em que vemos cenas terríveis de um dos maiores desastres da história, fico pensando em como está acontecendo um terremoto na cabeça de muita gente - muita confusão, muitas palavras mal proferidas e mal interpretadas que balançam (literalmente, falando) a cabeça de muita gente. Contudo, tenho aprendido com as cenas que vejo em vários canais do mundo todo.
1) Vejo como o povo de Deus O glorifica em qualquer situação. Tenho visto cenas de irmãos orando nas ruas de Port-au-Prince e irmãos testemunhando da proteção de Deus. As mulheres cantando hinos de louvor a Deus é um testemunho do amor do nosso Senhor.
2) Vejo muita gente famosa - pregadores, presidente (s), gente grande e pequena - tentando analisar a tragédia a partir da Justiça de Deus, ou da falta dela. Isto treme, balança e mexe com a cabeça de muita gente. São "pérólas" sem nenhum valor que trazem a certeza de que essas pessoas perderam a oportunidade de ficar caladas. Falar que o terremoto foi uma injustiça, ou culpar o envolvimento do povo haitiano com magia negra como causa da tragédia, é desconhecer a história, a Bíblia e interpretar mal as Escrituras. Quando perguntaram a Jesus quem tinha pecado para que o cego do Capítulo de 9 de João tivesse nascido assim, Ele respondeu: "... Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus" (Jo 9.3). Esta resposta deixa muita gente atordoada. Não satisfaz o ego daqueles que procuram uma causa pra tudo - uma explicação simplista, geralmente "pecaminosa", para tudo o que acontece no mundo. Aqueles que pregam e ensinam sobre "maldição hereditária" fazem de conta que o tal versículo não existe e desconversam. Mas, tem certas coisas que não é interessante saber a causa, mas o fim, a consequencia. O fim é a glória de Deus e a glorificação do Nome de Jesus. O terremoto abre uma oportunidade para a glorificação do Nome de Deus. Em cada vida salva, em cada criança resgatada, em cada sobrevivente que luta pra viver no meio de tanta miséria, nós vemos a mão de Deus e as pessoas agradecem e reconhecem - e as cenas vão sendo mostradas no mundo todo - que Deus fez um milagre.
3) Vejo gente no mundo todo se organizando, se juntando, para doar alguma coisa e pra fazer alguma coisa pelos sobreviventes e na reconstrução do país haitiano. Artistas, atletas, ONGs, Governos e igrejas se mobilizam para ajudar os que sofreram a catástrofe. Esta é a hora de ajudar, de se mobilizar, de doar, de consolar... não é hora de julgar, não é hora de condenar e não é hora de olhar para o passado histórico buscando razões que a própria razão desconhece - porque existem coisas veladas pelo Deus de toda a terra e alguns dos Seus mistérios são "misteriosos" demais para os humanos.
4) Vejo gente sendo tocada por Deus, querendo estar lá no Haiti, querendo fazer alguma coisa. Está aí um sinal da glorificação do Nome de Jesus. Seria bom que ninguém precisasse morrer para as pessoas serem tocadas por Deus, mas Ele tem os Seus caminhos e muitos vezes simplesmente desconhecemos e não entendemos - nesta hora, a única coisa que podemos fazer bem é crer e dizer: "Eis-me aqui".
Por tudo isto que escrevi e por tudo que creio e procuro viver, gostaria muito de estar lá, agora. Como já vivi muitos desses momentos - embora, não exatamente o de um terremoto -, e já participei do sofrimento de muita gente, queria estar lá. Mas, por enquanto vou ficando em Dili, participando do sofrimento, da pobreza, da tensão e da angústia de muita gente que agora está sofrendo nestes lados da Ásia.
Com a confiança em Deus e em Sua graça, vamos vivendo aqui, apesar das viroses, das doenças, do cansaço físico e mental. Mas, temos o consolo e a ajuda - espiritual, emocional e financeira - da igreja, dos amigos e da família. Sobretudo, temos a graça de Deus e Seu Espírito Consolador.
Abração pra você... não querendo nenhum terremoto em sua cabeça,
Durval.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ainda há muito por fazer!!!

Estamos começando uma nova etapa em nossa missão. Hoje, a Cátia começou a lecionar Português na Escola e o Durval começa a lecionar Educação Física ainda nesta semana. Esperamos muitos frutos neste trabalho, apesar das dificuldades que temos pela frente.
Na igreja, estamos começando um novo ano com Treinamento para os líderes e um trabalho mais concentrado com os casais. Contudo, tudo é muito lento, paciente e demorado. Vamos continuar na luta com coragem, mas sobretudo com sabedoria e paciência para chegar até o final.
Abração...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Continuando a Caminhada


Em 2010 estaremos enfatizando o Treinamento para os líderes, o trabalho com os casais e com a juventude. Precisamos de suas orações e apoio neste intenso trabalho, para que haja frutos na nossa semeadura. Com paciência e a graça de Deus, chegaremos lá.
Abração...